Concelho de Pampilhosa da Serra Versão para impressão Enviar por E-mail

 DADOS HISTÓRICOS DE PAMPILHOSA DA SERRA

 A Pampilhosa da Serra é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e sub-região Pinhal Interior Norte, com cerca de 1.500 habitantes.

É sede de um município com 396,49 km² de área e 5.220 habitantes (2001), subdividido em 10 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Arganil, a nordeste pela Covilhã, a leste pelo Fundão, a sul por Oleiros e Sertã, a sudoeste por Pedrógão Grande e a oeste por Góis. O concelho pertence à antiga província da Beira Baixa e é comarca. É sede da recente Comunidade Inter-Municipal do Pinhal (CIP), da qual fazem parte os municípios de Arganil, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Sertã e Oliveira do Hospital.

O território Pampilhosense é hoje bem diferente do da época da sua fundação. Com efeito, até finais do séc. XVI, este concelho compreendia uma única paróquia, a de Nossa Senhora do Pranto da Pampilhosa, a que se seguiram, as de Cabril, Pessegueiro e Machio, respectivamente no princípio do séc. XVII, na primeira metade do séc. XVIII, e no princípio do séc. XIX.

Pampilhosa terá recebido o estatuto de Vila no ano de 1308, graças ao rei D. Dinis, segundo a inscrição existente nos antigos Paços do Concelho. Todavia, o documento original que comprova esta afirmação ainda não foi localizado.

Em 1380, foi anexada à Covilhã, por decisão do rei D. Fernando. Contudo, após a crise de 1383-1385, D. João I, dias depois de subir ao poder, em 10/4/1385, confirmou-lhe os seus títulos de Vila, com todas as jurisdições, como havia tido antes de 1380. A Covilhã, não se conformando com a decisão real, tentou por todos os meios anular os privilégios repostos à Pampilhosa. A demanda que então teve início só terminou em 1499, por intervenção de D. Manuel I que confirmou a carta de privilégios dada por D. João I. Finalmente, em 20/10/1513, o Foral Novo, de D. Manuel I, confirma o Antigo Foral desta vila, que havia sido dado por pessoa particular.

No plano fiscal, nos séculos XV e XVI a Pampilhosa integrava o almoxarifado de Abrantes, a cujo almoxarife (oficial superior do fisco) competia receber as rendas reais e executar as respectivas dívidas. Em termos judiciais, a Pampilhosa, em 1525, pertencia à comarca de Tomar. No entanto, quando Abrantes se tornou cabeça de correição, em 3/12/1533, integrou esta comarca até 1547, altura em que voltou a ser transferida para a comarca de Tomar onde permaneceu até 1811. Nesta data passou a integrar a comarca de Arganil. Foi comarca durante um breve período, de 1892 a 1895, o que só voltaria a acontecer no século vinte.

A divisão administrativa de 24/10/1855, suprimiu o concelho de Fajão, determinando a anexação, de cinco das suas seis freguesias, ao de Pampilhosa: Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Unhais-o-Velho, Vidual de Cima. Também na mesma data, foi anexada à Pampilhosa a freguesia de Portela do Fojo que compreendia lugares da freguesia de Álvaro e de Alvares.

 

  

A evolução económica


O concelho Pampilhosense integra uma vasta região situada entre as serras de Estrela e da Lousã, que exerceu, entre 1064 e 1147, um papel de fronteira. Uma zona montanhosa favorecia a criação de núcleos de habitantes quase independentes, até certo ponto meio esquecidos dos soberanos e dos potentados da corte, que preferiam ter aí fortes pontos de resistência e agressividade contra os inimigos em vez prósperos centros produtores de onde pudessem tirar abundantes impostos.

Os habitantes da montanha dedicavam-se, pois, à pastorícia, cultivavam as terras que desbravam, fabricavam os tecidos com que cobriam o corpo e defendiam vigorosamente o seu território, contra as invasões e pilhagens que se sucediam com alguma frequência. Em verdade, tratava-se de uma população pacífica, que apenas pretendia tirar da terra o seu sustento. Foi esta população que se fixou e desenvolveu em Pampilhosa - Vila e no seu termo.

A agricultura que desempenhou durante séculos um papel fundamental na economia pampilhosense. Em 1712, sabe-se que “o seu termo recolhe bastante centeyo, muyta cereija e castanha; as vinhas são umas emparreiradas, outras em latadas ou embaradas em carvalhos, amieiros e outras árvores”, enquanto que, em 1758, os curas do Cabril e de Pessegueiro informam que os frutos predominantes nas suas freguesias são a castanha e o azeite.

Na luta pela sobrevivência, os serranos não só aproveitaram as áreas mais férteis, situadas junto aos cursos de água mais significativos, como, simultaneamente, foram conquistando terrenos à serra, uma vez que os primeiros eram insuficientes para o sustento das populações que teimavam em aumentar. O Homem destas paragens esforçou-se, heroicamente, e obrigou a terra a fornecer-lhe aquilo de que precisava. Assim, as serranias outrora povoadas de plantas silvestres e mato foram dando lugar a campos cultivados de plantas úteis.

A produção de azeite, a par da castanha e do milho, constituíram, durante séculos, as componentes características da produção agrícola pampilhosense. Contudo, no primeiro quartel do século XX, os castanheiros, atacados por doença (a tinta), começaram a definhar e acabaram por desaparecer não tendo, actualmente, esta produção não tem qualquer significado na economia da região.
A captação e condução de água para rega mereceram a atenção das nossas gentes. Um pouco por todo o concelho construíram-se canais para condução das águas, denominadas levadas, que garantiam o êxito das culturas mesmo nos estios mais prolongados. A divisão de águas tornou-se uma necessidade, utilizando-se durante séculos, convenções estabelecidas amigavelmente. Outras vezes, foi necessário recorrer às autoridades judiciais para prevenir possíveis conflitos. Por exemplo, conhece-se a escritura de partilha amigável de uma levada entre moradores do lugar de Cavaleiros de Baixo (Fajão), datada de 1715. Contudo, só a partir de 1867, com base no Código Civil começa a surgir a regulamentação para uso de águas, tendo sido elaborada uma Lei de Águas, do Serviço de Hidráulica, que presidia à distribuição de águas de rega.

Sendo Pampilhosa um concelho entre serras é natural que a pastorícia tenha tido um papel relevante na sua economia. Na verdade havia algum gado caprino como informa em 1758, o autor das Memórias paroquias. A criação de animais, tanto para apoio aos trabalhos árduos da lavoura como para produção e abastecimento de carnes também terá tido a sua importância. Durante séculos as populações criavam os seus gados que depois de abatidos conservavam na salgadeira ou no azeite contribuindo para o sustento das populações ao longo do ano. Já a caça era uma actividade a que não estava ao alcance de todos, havendo regras para caçar. (Foto com uma junta de bois)

A exploração florestal constituiu uma actividade com algum relevo na economia do concelho, contudo, a defesa e o incremento da floresta só se iniciaria no século XX com o aparecimento do pinheiro bravo. Graças ao desenvolvimento florestal foram criadas no concelho fábricas de aguarrás, pez e resina. Todavia, a partir da década de 70, do séc. XX, os incêndios começaram a atingir esta região provocando graves prejuízos económicos e ambientais.

A pesca, embora não sendo aqui uma actividade de grande importância, deu também algum contributo para a alimentação dos serranos. De 1758, chega-nos a informação de que os rios criavam barbos, bogas, bordalos enguias e trutas … as pesqueiras são livres e no estio costumase pescar”. As outras espécies (sardinha e o bacalhau) que constituíam o alimento destas gentes, chegavam de outros locais, como da Figueira da Foz ou do Porto.

A produção de mel teve também algum relevo nos séculos XIX e XX. A cera, derivada do mel, era igualmente comercializada.

Em 1758 ainda não havia notícia de exploração de minério no concelho. Apenas se suspeitava da existência de uma veia de pedras que pareciam estanho no lugar de Pescanseco. Contudo, a sua exploração começou a ter algum significado na década de vinte contribuindo de forma discreta para o desenvolvimento do concelho. Os minerais mais abundantes parecem terem sido o ouro e o estanho e foram explorados um pouco por todo o concelho. Outros minerais, como o chumbo e o zinco encontram-se no Alto concelho. O chumbo ocorre em Ceiroco, Meãs, Unhais-o-Velho, Dornelas, Adurão e Malhada do Rei. No lugar de Ceiroco (Fajão) existia uma mina de Chumbo e Zinco que começou a laborar por alvará de 9-12-1918. Havia ainda duas minas de zinco situadas respectivamente, na Lomba das Vargens (Fajão) e na Ribeira de Asno (de Unhais) que tiveram alvará 16/3/1923.

Segundo a geografia comercial e Industrial de João Félix, citado por J. M. Baptista, de 1875, havia no concelho da Pampilhosa 44 lagares hidráulicos e 62 moinhos, cujos proprietários eram normalmente as pessoas mais gradas da região, que os exploravam através de criados ou de arrendamento.

A cultura do linho, no século XIX, teve alguma importância na economia concelhia, como atestam os registos paroquiais das freguesias de Nossa Senhora do Pranto e de S. Simão de Pessegueiro. Por eles sabe-se que a maioria das mulheres se dedicava à fiação do linho. Para além do cultivo e da fiação do linho as mulheres dedicavam-se à sua tecelagem fabricando o seu próprio vestuário. Havia também alguma indústria, como refere Pinho Leal, em 1867 “há neste concelho fábricas de bureis, picotilhos e panos brancos, tudo de qualidade grosseira”. Em 1875 havia no concelho sete dezenas de teares de linho e 54 teares de lã. Um dos teares encontrava-se na aldeia de Carvalho, como revela o testamento de uma moradora datado de 1861: "Deixo a minha filha Luiza, …, e a parte que me pertence no meu tear de tecer linho". Os tecidos saídos dos teares eram posteriormente macerados no Pisão – sistema hidráulico semelhante à azenha, tornando-os mais firmes e lisos.

Para a construção das habitações recorria-se à matéria-prima da região, nomeadamente ao xisto para as paredes exteriores e à madeira de castanho para os interiores. Para cobrir as habitações utilizavam-se as lousas – lâminas de xisto e, mais tarde, a telha, que também aqui seria produzida, dado que em 1875, havia cinco fornos de telha. É possível que paralelamente ao fabrico da telha tivesse ocorrido algum fabrico de louça de barro.

O desenvolvimento agrícola, florestal e pecuário conduziu naturalmente à actividade comercial. Os produtos comercializados foram o azeite, a aguardente de medronho, os cereais e o carvão. Das mercadorias importadas, apara além do pescado do mar, uma das que deve ter assumido algum relevo foi o sal, tão necessário à conservação dos alimentos.

 

 

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